Penso que é muito difícil identificar quando se está caminhando na rota errada. Quando se trata de identificar as rotas de outras pessoas, acaba sendo mais fácil. Mas para nós mesmos, é realmente difícil.
Isso porque, notoriamente, a maioria das pessoas está mesmo na rota errada, mas ninguém - exceto, geralmente, os chamados "caretas" - vê problema algum nisso.
Em dado momento da vida vem o vazio. Aquele vazio que faz recordar a infância, o primeiro amor, as primeiras atitudes erradas. E o que fazer, então? Será que não é tarde demais pra mudar? Será que não é esse mesmo o destino dos seres humanos - viver sem sentido?
Às vezes, essa percepção do vazio dura muito pouco pra que se possa mesmo considerar a possibilidade de mudança. Mas quanto mais o tempo passa, e mais clareza o pensamento adquire, mais nítida fica a impressão de que se esteve mesmo andando por caminhos errados. E então vem a lembrança daquela professora querida. Vem a lembrança daquela pessoa que nos amou, nos incentivou, nos procurou, tentou nos chamar, nos segurar pelo braço. E aí vem a dor, porque lembramos, também, de nossa reação. De nossa revolta, que hoje vemos ter acontecido sem razão. E vemos as coisas às quais demos valor, as coisas tão passageiras, as sensações tão pobres, as pessoas - tão vazias quanto nós. Por que será que, quando nessa revolta, vemos o mundo sem razão tão atraente e desprezamos todas as boas coisas que temos? Sim, sabemos que nunca são só coisas boas. Mas hoje vemos que as boas eram maiores que as ruins.
Não são todas as pessoas que passam por essa fase na adolescência. Algumas passam por isso antes, outras depois. E algumas, sortudas, nunca passam. O problema é quando a fase deixa de ser só uma fase e vira o início de um processo doloroso. O processo doloroso pode ser qualquer coisa que desencadeie aquele sentimento de vazio. E, pra isso, essa coisa precisa estar bem arraigada em nossos hábitos.
Pensamos: "quanto tempo perdí". E que vontade de abraçar os queridos, de revê-los, talvez de pedir desculpas. Mas... Não será tarde demais? Não será muito pueril essa idéia de mudar, assim, sem razão? Mas de que razão precisamos? Da razão que se traduz no consentimento daqueles com os quais estamos acostumados a viver? E quem são esses? São nossos amigos, ou são nossos hábitos?
Dizem por aí que as pessoas estão muito carentes, que se agarram à literatura barata - seja de romances, seja de auto-ajuda - para esquecer a própria frustração ou para acreditar em uma nova ilusão - já que aquela da vida eterna caiu em desuso há séculos. E você, o que acha?
Não confio nos racionalistas. Não vejo lógica em acaso. Não vejo lógica em vida sem propósito. Vejo causa e efeito, vejo objetivo. O ser humano tem um valor inestimável. Por isso, para mim, é preciso renovar os questionamentos e ouvir a razão dos sentimentos. A partir disso, não é muito difícil enxergar um caminho; é só querer. É preciso procurar um objetivo, é preciso aprender a volorizar todos os aprendizados e a buscar a melhora. É preciso questionar a si mesmo. É preciso procurar a melhora. É preciso aprender.
terça-feira, 30 de junho de 2009
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4 comentários:
Duvido que esses momentos de vazios surjam só na adolescencia, Ci.
Me questionei sobre algo parecido hoje, aliás, há meses penso nisso. Será que sou eu quem sofro, que enxergo as situações de formas erradas e preciso me adaptar a elas ou é necessário cortar o mal pela raiz? Tirar de perto o que me abala ou aprender a conviver sem sofrer?
Até que ponto é necessário tentar?
Seria fuga ou apenas inteligência?
Acho que passaremos por dúvidas e vazios até atingir a perfeição. Elas são necessárias, afinal a gente só muda qdo algo nos incomoda.
O problema é a porcaria do sofrimento e as dúvida que existem no meio.
Hiuhasiuhaiushiuahs
concordo com Ká, esses momentos acontece em qq fase...
As vezes me pego fazendo essas "perguntas".
Fico feliz em saber que sou normal!rs
A gente precisa de muita coisa ainda, pra chegar lá. Por isso acho bom checarmos se estamos mesmo no caminho certo.
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